“Isso é tipo CrossFit, não é?” É a pergunta que mais ouvimos quando explicamos o treino funcional Be Water. A resposta curta é: não. A resposta longa é este artigo.
Tanto o CrossFit como o treino funcional Be Water usam movimentos compostos, trabalham força e condicionamento, e treinam em grupo. Mas a filosofia, a metodologia e os resultados são significativamente diferentes. Vou explicar porquê — sem dizer mal do CrossFit, mas sendo honesto sobre as razões pelas quais escolhi outro caminho.
O que é o CrossFit (de verdade)
O CrossFit é uma marca registada e um sistema de treino baseado em “movimentos funcionais constantemente variados, executados a alta intensidade.” Na prática, isto significa WODs (Workout of the Day) que mudam todos os dias, combinando levantamento olímpico, ginástica, corrida e exercícios com peso corporal — tudo contra o relógio ou por AMRAP (as many reps as possible).
O CrossFit revolucionou a indústria fitness por várias razões legítimas: trouxe o treino de grupo de alta intensidade para o mainstream, criou uma comunidade global apaixonada, e provou que as pessoas querem treinos desafiantes e não apenas máquinas de ginásio.
Onde o CrossFit e o Be Water divergem
1. Repetição vs variação constante
CrossFit: O WOD muda todos os dias. A filosofia é “preparar para o desconhecido e o desconhecível.” Isto cria variedade, mas dificulta a medição de progresso e a construção de força linear.
Be Water: As semanas repetem-se. Se na segunda-feira fizeste agachamento a 60kg, na segunda seguinte fazes a 62.5kg. Esta progressão linear é a forma mais eficaz e comprovada de construir força de base. Medes o progresso objectivamente, semana após semana, e sabes exactamente onde estás.
É a diferença entre treinar e “fazer exercício”. Treinar tem uma direcção. Fazer exercício é aleatório.
2. Levantamento olímpico sob fadiga
CrossFit: É comum fazer snatch, clean & jerk ou thrusters no meio de um WOD, já fatigado, contra o relógio. Estes são movimentos tecnicamente exigentes que requerem coordenação e controlo motor.
Be Water: Nunca colocamos movimentos de alta complexidade técnica sob fadiga ou pressão de tempo. Se fazemos levantamento olímpico, é com foco técnico, sets limpos, e recuperação adequada. Os circuitos de condicionamento usam movimentos de baixa complexidade por design — kettlebell swings, battle ropes, box jumps, sleds — para que possas dar intensidade máxima sem comprometer a segurança.
O princípio é simples: quando estás cansado, a técnica degrada. E quando a técnica degrada em movimentos pesados e balísticos, o risco de lesão sobe.
3. Hipertrofia e trabalho acessório
CrossFit: O foco está na performance metabólica. Trabalho acessório de hipertrofia é secundário ou inexistente em muitas boxes.
Be Water: Integramos blocos dedicados de hipertrofia e trabalho acessório no programa semanal. Porque a maioria das pessoas que treina — sejamos honestos — quer ficar mais forte E ter melhor composição corporal. Os dois objectivos não são contraditórios, mas precisam de ser treinados de forma intencional.
4. Kipping pull-ups vs strict pull-ups
CrossFit: O kipping pull-up (com balanço) é uma técnica aceite para fazer mais repetições em menos tempo.
Be Water: Só fazemos pull-ups estritos. Ponto. O kipping gera forças excêntricas significativas no ombro sem controlo — e para a maioria da população (que não é atleta de competição de CrossFit), o risco não compensa a velocidade. Uma pull-up estrita treina força real e protege as articulações.
5. Grupos pequenos vs aulas massivas
CrossFit: Muitas boxes têm 20-30 pessoas por aula. O coach faz o que pode, mas a atenção individual é limitada.
Be Water: Os grupos são pequenos por design. Cada sessão tem capacidade limitada para que os treinadores possam corrigir técnica, adaptar cargas e dar atenção real a cada atleta. E temos um fisioterapeuta no staff — o Joaquim Coelho — que acompanha a prevenção de lesões e a reabilitação.
O método Be Water em 5 pilares
O nosso sistema de treino funcional combina cinco componentes numa programação semanal coerente:
- Força — exercícios compostos (agachamento, peso morto, press, pull) com progressão linear
- Explosividade e velocidade — pliometria, lançamentos de medicine ball, sprints
- Resistência e condicionamento — circuitos de alta intensidade com movimentos de baixa complexidade
- Calistenia e mobilidade — controlo corporal, strict pull-ups, trabalho de mobilidade articular
- Hipertrofia e acessórios — trabalho focado em grupos musculares específicos
Para quem é o treino funcional Be Water
Para toda a gente. Literalmente. Os exercícios são adaptados ao teu nível — se não consegues fazer uma pull-up, fazemos uma variação assistida. Se o teu agachamento está limitado por mobilidade, trabalhamos nisso enquanto progredes.
Os nossos treinadores — Bruno Salgueiro, Jorge Segurado (ex-seleção nacional de rugby), Luís Catarino (9 anos no Benfica), Inês Pires (S&C no Benfica e investigadora) e Lourenço Santos — têm formação e experiência em alto rendimento. Mas o objectivo é aplicar esses princípios a toda a gente, não apenas a atletas.
Temos mais de 20 sessões por semana: desde as 06h30 até às 19h30, de segunda a sexta, e sábado de manhã. Se tens um horário complicado, há sempre uma sessão que encaixa.
”Então vocês não gostam de CrossFit?”
Os nossos treinadores têm background em CrossFit. Respeitamos o que o CrossFit fez pela indústria. Simplesmente acreditamos que há uma forma melhor de treinar a população geral — uma forma que prioriza progressão mensurável, segurança biomecânica e resultados sustentáveis a longo prazo.
Se estás numa box de CrossFit e gostas, óptimo — continua. Se estás à procura de algo diferente, ou se nunca treinaste e queres começar bem, o Be Water pode ser o que procuras.
Experimenta
A tua primeira aula é gratuita e sem compromisso. Envia-nos mensagem pelo WhatsApp (933 869 791) e marca a tua sessão. Planos desde €64.90/mês, sem fidelização, com acesso a todas as modalidades — incluindo Jiu-Jitsu, Muay Thai e Boxe.
Be Water Lisboa — Av. do Brasil 7, Campo Grande. Segunda a sexta 07h–21h, sábado 10h–13h.
— Bruno Salgueiro, Fundador